Blog de Marcelo Barros
  

Atenção meus amigos e companheiros deste blog: depois de algum tempo conversando com vocês aqui nesta página, junto com meus sobrinhos Maria e Pedro, consegui organizar um blog mais diversificado e com mais instrumentos de comunicação.

A partir de agora, convido vocês a me encontrarem no seguinte endereço: www.marcelobarros.com      Mesmo se ainda não estamos com todos os elementos organizados (aceitam-se sugestões), o blog já está funcionando. Espero que vocês entrem, gostem e reajam. Obrigado e até lá.  




Escrito por Marcelo Barros às 11h23
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Hoje, data de nossa independência política, fui ao centro da cidade para participar do 17o Grito dos Excluídos. A primeira sensação foi de tristeza ao ver uma multidão de gente pobre, famílias inteiras, caminhando lado a lado da passeata do Grito, mas indo para o desfile dos militares. Carro de guerra chama mais atenção e atrai mais do que os companheiros do MST cantando seus hinos. A manifestação nossa contou com umas duas mil pessoas, o que para mim já me pareceu muito (em um feriado de sol de manhã em cidade de praia???). Desta vez gostei de ter ficado no meio do povo. Não falei nem subi em caminhão como comumente me acontece. Simplesmente dei uma presença amiga e carinhosa a muita gente que me reconhecia e cumprimentava. Tenho a impressão de que precisamos reinventar outra forma de manifestação, mais artística e mais lúdica. Até agora, corremos o risco de falar de nós para nós mesmos. O pessoal atingido por esse tipo de manifestação que eu vi hoje já é o pessoal sensibilizado e consciente desses temas. A questão é como ir adiante e chegar ao povão que é excluído mas nem sabe que pode e deve gritar???



Escrito por Marcelo Barros às 17h11
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Nesta data, há 42 anos, encerrava-se em Medellin a 2a conferência geral dos bispos da América Latina. Apesar de que depois teve pouca continuidade, esta conferência representou o nascimento de uma Igreja com cara latino-americana, foi o começo oficial da Teologia da Libertação e das pastorais populares (pastoral da terra, indigenista, operária, com o povo da rua, etc). Hoje, as conclusões de Medellin e os compromissos que os bispos assumiram ali são pouco lembrados e a maioria da Igreja Católica vai na direção contrária a aquela apontada por Medellin. Por isso, é importante sermos uma minoria profética que não deixa que essa memória se perca e não só continua as propostas de Medellin, mas as aprofunda e as leva além do que naquela época poderia ir. 



Escrito por Marcelo Barros às 12h21
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Ante-ontem, na Assembléia Legislativa de Pernambuco, houve uma sessão solene em homenagem aos 200 anos da independência da Venezuela. E a consuleza da Venezuela em Pernambuco, Sra Coromoto Godoy, em seu discurso, disse que a relação especial da Venezuela com Pernambuco se deve ao fato de que o pernambucano Abreu e Lima participou junto com Bolívar da luta pela independência da Venezuela e acrescentou que hoje outros pernambucanos estão se comprometendo na defesa da causa bolivariana. Imaginem que, como exemplo disso, ela cita o meu nome (o monge beneditino Marcelo Barros). Senti-me todo orgulhoso com isso, mas ao mesmo tempo, consciente da imensa responsabilidade que isso significa. Nos ambientes eclesiais, mesmo abertos e ligados à Teologia da Libertação, este apoio não é tranquilo e sou criticado por alguns. Sinto-me seguro neste caminho por ter o apoio e participação de companheiros como Leonardo Boff que até escreveu o prefácio do meu livro sobre este assunto (Para onde vai Nuestra América) e do meu mestre saudoso padre Comblin que foi comigo duas vezes a Caracas. É claro que o assunto é crítico e quanto mais o aprofundarmos melhor. Recebi um email de um senhor de Madri na Espanha me perguntando como eu podia ainda falar hoje em dia de socialismo depois do fracasso e do descrédito do socialismo real na Espanha e em outros países. Respondi que levo isso em conta. Mas, quero resgatar o termo e a noção. Seria como se não pudéssemos mais falar de Cristianismo ou mesmo de Deus pelo fato destes termos terem servido para tanta coisa que a gente lastima. Ao contrário temos de limpar as palavras e libertá-las da prisão que lhes impuseram, dando-lhes o seu sentido original e mais profundo. Estou convicto disso e conto com vocês neste caminho e nesta função (Para o pessoal de Recife recordo que amanhã ao meio dia lanço na Paulus o meu livro sobre Dom Hélder Câmara e para quem quiser desde às nove estou coordenando ali um curso ecumênico sobre a Bíblia baseado no texto escolhido para o mes da Bíblia que é Exodo 15, 22 ao final do cap. 18). Deus os abençoe. Continuamos juntos no caminho. 

 



Escrito por Marcelo Barros às 11h56
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Por iniciativa nascida na cidade de Goiás onde morei tantos anos e por idéia de Cora Coralina, nossa maior poetisa do cotidiano caseiro, o Brasil começa a comemorar no dia de hoje (20 de agosto), o dia do vizinho. Nesta sociedade de relações anônimas e dos edifícios em que ninguém conhece ninguém, é importante recordar o valor da vizinhança. Cora Coralina chegava a dizer que vizinho é mais importante do que parente, pois conhece mais da vida da gente, já que convive diariamente. Quando a Bíblia manda a gente amar o próximo, podemos compreender o próximo como o vizinho. Amar o chinês ou o coreano do outro lado do mundo, comover-se com a criança faminta da Somalia é importante e fundamental, mas não é tão exigente e desafiador quanto amar o vizinho que liga o som alto no domingo à tarde, ou faz churrasco perto do quarto da gente e nos incomoda com o cheiro forte da carne assando ou simplesmente divide conosco o mesmo portão ou o mesmo elevador. Para quem crê, o outro, principalmente o que está ao nosso lado, o vizinho é sempre o rosto humano do divino. Meu artigo desta semana tinha como título: Deus mora lá na nossa rua. 




Escrito por Marcelo Barros às 07h51
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Ontem, concluí a correção de um texto sobre o padre José Comblin, meu mestre e patriarca da teologia da libertação. Em março, aos 86 anos, ele partiu. Mas, nos deixou uma preciosa herança em seu testemunho de vida, em seus escritos e suas palavras. Junto com outros companheiros, tento resgatar um pouco desta riqueza em um livro coletivo de ensaios sobre ele que Eduardo Hoonaert coordena e sairá em breve. O meu texto é sobre a contribuição de Comblin para a teologia da libertação inserir-se hoje no processo bolivariano que está em marcha na Venezuela e outros países do continente. Neste caminho, penso que ele foi dos nossos teólogos, o mais corajoso e decidido. Tento seguir seus passos.   



Escrito por Marcelo Barros às 06h53
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Ontem, fui convidado a falar sobre a conjuntura atual das Igrejas em uma reunião do Movimento de Profissionais Cristãos. Fiquei impressionado ao encontrar aquele grupo perseverando em se encontrar, gostando de refletir e aprofundar as questões. Acho que isso hoje já não é tão frequente. E fazem isso há mais de dez anos. Ao mesmo tempo, todos com certa dificuldade em se inserir na Igreja como ela está atualmente. Então descobri que eles não queriam tanto que eu falasse de conjuntura de Igreja (não estavam tão interessados em notícias ou sobre o que está acontecendo) e sim que eu os ajudasse a se sentir melhor diante disso, ou seja como se sentir Igreja em um contexto no qual a maior parte da hierarquia e muitos da Igreja se fecham à missão libertadora e se deixam prender à idolatria do poder, considerado como algo divino. Tentei ajudar. Disse sinceramente que não creio em "cristão genérico", como existe remédio genérico, se este genérico significar sozinho e isolado. Embora a vocação cristã, desde os primeiros tempos, se viva mesmo na diáspora, nadando contra a corrente e em minoria, é importante o grupo, a comunhão. Por outro lado, na caminhada atual da Igreja, seria bom não abandonar o barco aos que justamente acham ótimo o estilo atual. Temos tantos irmãos e irmãs resistindo. Lembro do profeta Elias que no monte Horeb foi se queixar a Deus: "Só eu restei e querem acabar comigo também" (1 Reis 19). Deus disse que ele estava enganado. Restam setenta mil profetas, portanto volte. A gente não pode pensar que só temos nós, E temos de nós cumprirmos nossa missão. 



Escrito por Marcelo Barros às 07h19
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Começo um bom contato com Carmen Peixoto, jornalista que semanalmente publica no Jornal do Commercio (do Recife) uma página de notícias e artigos provenientes dos meios religiosos (de várias confissões, especificamente de Igrejas Cristãs e do Espiritismo. Ela me diz querer publicar meus artigos. E eu fico contente por ser confirmado nesta missão de me comunicar que eu prezo tanto. Por outro lado, devo advertir que meus artigos quase nunca são sobre religião. São sobre a vida e sobre uma ética ecumênica e uma espiritualidade humana não necessariamente religiosa. Cada vez mais me sinto eu mesmo caminhando nesta direção, como simples ser humano, ligado aos demais irmãos, independentemente de pertença religiosa ou não. O que me toca mais profundamente é nos humanizar e tornar este mundo mais convivial para todos os seres vivos. Carmen Peixoto me pareceu muito aberta a isso. Graças a Deus.



Escrito por Marcelo Barros às 21h28
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Estou quase um mês sem ter tido tempo de escrever aqui. Agora retomo. Amanhã viajarei ao sertão da Bahia (Barreiras) para assessorar um encontro de comunidades eclesiais de base. Interessante o título que deram: "Um novo cristianismo é possível". Isso liga este encontro com os fóruns sociais. De fato, muita gente desejaria uma outra forma de ser da Igreja. Eu mesmo me ponho neste número de cristãos profundamente desejosos de uma renovação eclesial. Entretanto, o mais importante é como dizia Gandhi: começar por nós mesmos as mudanças que queremos para o mundo. Tento fazer uma pauta das mudanças que almejamos e verificar se de minha parte já vivo isso e já testemunho que é possivel viver isso: um novo modo de viver a comunhão com as pessoas, a abertura para as outras Igrejas e religiões, uma nova forma de compreender Deus e uma nova forma de viver a relação com ele (ou ela). Uma nova teologia, uma nova forma de viver a missão no mundo e nova ética tanto social e política como pessoal e sexual. Um novo modo de viver é possível. Então também só pode ser possível e bom um jeito novo de viver a fé. 



Escrito por Marcelo Barros às 15h49
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Hoje, o mundo viu nascer um novo país. No leste da África, ao sul da Nigéria, o Sudão do Sul ficou independente. Foi uma luta de décadas e a partir de zero hora de hoje, o povo do país não depende mais de Kartum. Viveram uma guerra, morreu muita gente, mas agora se espera a paz. Tenho um amigo, padre, missionário brasileiro de Belo Horizonte que´, há uns cinco ou seis anos, vive neste país. Para ir onde ele está morando, tem de se descer de avião em Kartum, andar um dia de ônibus ou caminhão e depois entrar por dentro dos rios e pântanos, de barco mais dois dias. Lá não há eletricidade, nem internet, nem nada do progresso que conhecemos. Entretanto, o povo está unido. O país é o mais pobre do mundo (mais pobre do que o Haiti), mas o povo dança, acolhe as pessoas com carinho e vive a esperança de dias melhores. Que Deus os ajude e os conduza no caminho da paz, da justiça e da dignidade humana em comunhão com a natureza que eles já vivem.  



Escrito por Marcelo Barros às 20h09
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No consulado venezuelano em Recife, participei e até animei um culto ecumênico de ação de graças pelos 200 anos da independência da Venezuela, pela revitalização do movimento bolivariano daquele tempo, hoje refeito em formas diferentes e pacíficas e ao mesmo tempo pedimos a Deus pela saúde do presidente Chávez que é símbolo e guardião deste processo. Creio profundamente que o processo depende do povo, das comunidades e movimentos populares e não apenas de governos, mas como o processo atual é ainda novo e frágil e muito atacado pelos adversários da nossa independência e integração continental, é importante que haja figuras como Chávez, Evo Morales e mesmo Rafael Correa que garanta este processo no nível oficial. Estou lutando para que os teólogos e teólogas da libertação, assim como nos anos 70 e 80, apoiaram outras formas de socialismo, apoiem esta mesmo que de forma crítica e sem cairmos em uma cristandade de esquerda que ninguém quer. O movimento é laico e deve ser absolutamente livre e independente de qualquer religião, mas todos nós devemos participar como cidadãos ameríndios, afro, latinos e caribenhos. É a construção da Pátria grande 200 anos depois.  



Escrito por Marcelo Barros às 06h55
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Neste domingo, acordei pela manhã e os frades com os quais me hospedo me contaram que na madrugada aqui na praça em frente à Igreja (em Goiânia) dois motociclistas assassinaram a queima-roupa um rapaz que dormia na rua. Execução sumária. Parece que aqui este tipo de crime ocorre quase cada noite e as pessoas, mesmo lamentando, acabam se habituando. Um rapaz de 25 anos, indefeso e sem ninguém na vida. Morto por balas na cabeça. E ainda dizem que no Brasil não existe pena de morte. Saí pela manhã para celebrar me comprometendo com Deus Amor em fazer tudo o que eu puder para mudar isso no Brasil e no mundo.



Escrito por Marcelo Barros às 16h01
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Nesta noite em que no Nordeste é noite de São João, estou em Goiânia, no convento dos dominicanos, meus amigos (me sinto meio dominicano por causa desta comunidade que sempre me acolhe e me integra tão bem que me sinto um deles). Decidi ficar sozinho no quarto, desde a tarde, em oração e reflexão. Silêncio e calma. Sinto-me em união com três mil indios de 46 povos diferentes que desde ontem estão reunidos no Equador para refletirem sobre a cura da Mãe Terra e da Água. Hoje recebi uma mensagem de uma monja carmelita. Ela tinha me escrito: Você é uma pessoa importante para nós. Por favor, não se deixe isolar na Igreja. Quem perde somos nós. Se você faz coisas que sabe que, por causa disso que diz ou faz, o isolarão, nós todos perdemos. Eu tinha respondido à mensagem dela agradecendo a crítica e prometendo me rever bem mais antes de falar e agir. Ela me respondeu agora que se surpreendeu que um padre escutasse e achasse que podia aprender alguma coisa de uma freira. Pois é, respondi eu, isso que você diz é verdade e revela a estrutura clerical que temos de mudar. Aí assim começamos tudo de novo. Mas, agradeço a Deus que hoje as mulheres exercem um profetismo cada vez maior e mais profundo. E nós temos de estar abertos a acolher e aprender delas.



Escrito por Marcelo Barros às 20h57
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Hoje de madrugada o sol entrou na nova estação do ano, aqui no hemisfério sul, o inverno. Este solstício é celebrado ancestralmente por várias tradições espirituais. Entre nós, as festas juninas nasceram deste veio. Para mim, hoje, o importante é recuperar esta dimensão ecológica da fé e da espiritualidade, ou seja, sermos capazes de contemplar a presença divina e a atuação do amor divino na natureza. Isso pode nos levar tanto a uma visão do campo como mesmo da cidade. Nestes dias, em Brasília, fui com um amigo a um filme, o mais recente de Woody Allen: "Meia noite em Paris". Há tempos, não gostava tanto de um filme deste diretor. Este é um filme amoroso e o carinho para uma Paris romântica e sempre bela, como diz ele, mesmo na chuva, nos faz pensar na nossa cidade e vê-la assim com um olhar de cumplicidade e ternura. Se puderem vejam o filme e quem viu nos anos 80 "A rosa púrpura do Cairo" do mesmo diretor, me diga se não há o msmo amor e positividade e até certos elementos parecidos entre os dois filmes. Acho que isso é hoje a nossa forma de celebrar a festa que os indios nos Andes chamam Inti Rami; a festa do Sol em nossas vidas.



Escrito por Marcelo Barros às 19h22
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Nesta noite e amanhã, nas regioes dos Andes, é tempo de festa. O renascimento do sol celebra o ano novo andino no solstício do inverno. Esta festa tradicional retoma hoje nova força por causa da articulação política dos movimentos indígenas de todo o continente e neste sentido esta celebração tem um sentido de afirmação cultural e social destes povos irmãos. Eles são os protagonistas do novo tipo de socialismo latino-americano que podemos apoiar e do qual somos chamados a participar.



Escrito por Marcelo Barros às 18h30
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